Tributo a Mãe Africa

Mãe África

Minha Mãe África, Mãe dos esfomeados, dos desvalidos, dos desterrados, dos expatriados. Berço da humanidade. Somos os filhos arrancados de teus braços, mas mesmo assim continuamos com a cabeça, olhos e coração voltados para ti Pátria Mãe. Não será o tempo que vai apagar de nossas memórias teus ensinamentos, tuas raízes, continuaremos a cultuar-te e respeitar-te, mesmo na dor de tua ausência.

Minha Mãe África, Óh doce Mãe dos aflitos, teus filhos perambulam pelas calçadas do mundo, mundo de sofrimento e espoliação, mundo preconceituoso e racista, negando reconhecer teus Deuses, tua cultura, tua raça.

Minha Mãe África, Olha para teus filhos que construíram esta América, e mesmo assim na hora da partilha ficaram de fora, despojados, continua a margem de qualquer direito do reconhecimento e a cidadania.

Olhe para a América, a madrasta dos filhos de Mãe África, que nos tem como escravos mesmo passado trezentos anos de luta e sofrimento, ainda assim continuamos estrangeiros na terra que nos recebeu como mão de obra barata e escravagista, esquecida que não fomos chamados a vir aqui, fomos trazidos sob o jugo e a ferros. Escravos sonhando com liberdade.

Minha Mãe África não me envergonha ser teu filho, isto é motivo de honra e orgulho, minha vergonha e revolta são por teus filhos pretos que cospem nos teus ensinamentos, pretos sujos e traidores da Pátria Mãe África. Filhos de teus seios, desonrando a luta por liberdade, esquecido dos irmãos que vivem sem emprego, sem estudo, sem saúde, sem fé, sem esperança. Esquecido do sofrimento de nossos ancestrais.

Óh minha Mãe África, acalma meu coração, afastá-o do ódio e da revolta, minha doce Mãe, põe tua brandura no meu coração, dignidade em meus pensamentos, aplaca a revolta do meu coração, põe tua doçura na minha boca e ensina-me a perdoar. E que eu siga tua sina a recitar a poesia teu canto, como o cantar dos passarinhos. Faça soar aos meus ouvidos como música o teu lema. “Dudu on waji enia dudu Eín okán”; Preto é cor, Negro é consciência”.

Óh minha Mãe 
África, ouve meu grito clamando por justiça e dignidade, volta teus olhos a teus filhos desamparados. Mantém teu pulso forte sobre minha vida, tua certeza em minha luta, não me deixe fraquejar, fazei-me instrumento de teus ensinamentos e de tua obra.
Minha Mãe África seja o timão que indica a direção, minha âncora em mares bravios, meu leme na orientação a teu caminho seguir.

Não deixem morrer em mim a tua cultura, tua história, teus fundamentos, tuas raízes.

Minha Mãe África cubra-me com tua fibra, tua obstinação, tua energia, não me deixe cair em tentação dos que se sentem superiores por ser teu filho, dai-me a humildade, o respeito e a dignidade e a postura dos que com orgulho ostentam a beleza de te amar e por ti ser amado.

Minha Mãe África saiba que teus filhos sofrem calados todo o tipo de perseguição, injúrias e difamações, mas nunca em momento algum deixaram a tua bandeira tombar ao léu, desfraldada em tua honra permanece tremendo de encontro ao vento, como o voou de uma Gaivota em plena liberdade, vitoriosa ostenta tua beleza, tua magia, teu mistério, teu axé.

Minha Mãe África saiba que as águas de Oxum correm para o mar e o mar de Yemanjá corre para a Mãe África. Quero no meu derradeiro sonho ir a teu encontro, berço da vida e da liberdade. Quero a plenitude do mar como entrega final e nele navegar, tendo o som das ondas do mar como marcha fúnebre, o réquiem dos Babalorixás, dos consagrados; dentro dos fundamentos da tua Nação, da tua cultura, da tua magia e de tua missão, nela resgatar o mundo pela justiça, pelo amor e o perdão. Óh minha doce Mãe África.
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