O Sentido da Vida

O Sentido de minha vida.

Às vezes eu fico a me perguntar o sentido de minha vida? O que vim fazer aqui? Infelizmente eu nunca soube a resposta a esta pergunta, e por mais que eu tente não encontro a resposta. Por não saber, eu deixo minha vida ser levada como uma folha ao vento ou um barco a deriva, isso é o mínimo de clareza e discernimento da compreensão e emoção de viver a vida. Razão pela qual, busco sempre dar respeito e dignidade ao próximo em palavras e atitudes. Penso que seja isso o que eu devo fazer para um mundo melhor e assim encontrar nestes gestos o sentido da minha vida.

A maioria das vezes eu vejo minha vida passar refletida nos olhos dos que me cercam e convivem comigo. Os olhos destas pessoas são como espelho onde posso ver refletida a importância dos meus valores e assim avaliar tudo que sou e fiz para o crescimento espiritual deles, e o meu sentido da vida.

A verdade é que eu nunca soube estimar o merecimento, e se realmente eu fiz alguma coisa de valor pela vida dos que amei. Sei lá o tempo é que trará estas respostas, pois infelizmente o que mais eu vejo nos dias de hoje e o descontentamento geral daqueles pelos quais eu tanto me dediquei. Tem sempre alguém querendo mais e mais de meus esforços, pouco recebi em agradecimento, as palavras muitas obrigado por tu teres nascido ou o mínimo de contentamento, do tipo: obrigado por ter te conhecido.

A maioria quer julgar ou me decifrar ou modelar meus atos ou palavras e o sentido de minha vida.

Ontem vieram a meu encontro buscar o sentido de suas vidas e os segredos de suas almas, hoje como uns passes de mágica são os julgadores os mestres da sabedoria de suas vidas e o pior trazendo como prioridade, as mudanças sobre a minha. Não é necessário dizer que a tudo isso vêem atrelados de regras morais, sapiências espirituais, acrescidas de compasso e medidas para as grandes reformas do sentido de minha vida.

Ontem eles não sabiam para que lado apontava seus próprios narizes, hoje já dão indicações da direção do meu e dos que me cercam ou me seguem. Tudo isso num abrir e fechar dos olhos. Hoje eles são os donos absolutos da verdade, esquecido que estás verdades absolutas e estes conhecimentos chegaram aos seus ouvidos pela minha boca e por minha longa experiência de vida. Ontem eram cegos e ignorantes como uma mula, hoje enxergam até no escuro e suas inteligências brilham mais que as estrelas no céu.

Às vezes eu me surpreendo com tão brilhantes discursos e filosofias de fundo de quintal ou de banheiro de beira de estrada sobre o que pensam de minha vida ou de atitudes tomadas por mim. São julgamentos bizarros e tão pobres e tão insignificantes que tenho pena de relatar ou contestar. Não passam de uma visão única, retilínea e sem o mínimo de peso ou medida, discursos feito ao sabor do vento ou quando eles se acham cercados pela plebe empobrecida e ignorante que cala para ouvir falar que um dia eles estiveram ou conviveram por breves momentos com o grande mestre. Aqui modéstia pouca é bobagem é a jactância do saber e da experiência de meus sofrimentos que me fazem escrever assim. Sobre os discursos inflamados que fazem sobre quem sou, ou o que faço, ou que penso. Pobrezinhos, coitadinhos, há se eles soubessem o verdadeiro sentido de minha vida.

Mas na duvida sobre o que escrevo sobre eles, é só pedir por seus currículos e verão que nada fizeram por suas insignificantes vidas, que dirá pela dos outros. Estiveram ali, a espreita aguardando o momento de abrir a graxeira de suas almas imundas para destilar seus venenos pérfidos sobre aquele a quem devem parte do que hoje são. Ontem estas pessoas, eram ninguém, um zero a esquerda, hoje se sente como a própria bela adormecida que desperta de um longo sono se prepara para as grandes descobertas e revelações, surpreendendo quem os conhecia anteriormente.

Querem saber a razão do brilho de seus olhos, busque saber o tema central da conversa e saberá que sou eu o Babalorixá João Carlos de Odé, sim, é sobre esta figura que eles tem mestrados e diplomação. Tornou-se moda discernir sobre tão importante personalidade do universo do Batuque. E tome-lhe blá-blá-blá, um arrazoado de pensamentos inadequado e impróprio e sobre tudo mentiroso, nascido de suas mentes pobres e insignificantes, mas que é própria e oportuna. Agora se fez a ocasião para demonstrar suas índoles rancorosas, aproveitam os saldos e liquidações das injustiças que eles sofrem, para acusarem de ser por minha causa, as dores das quais eles são supostamente as vitimas.

Existem alguns que extrapolam e vão mais longe em suas comemorações: realizam festas objetivando confraternizar com os inimigos as desgraças que eles acreditam e atribuem ter caído sobre minha cabeça.

Os tambores ontem tocavam para evocar os Orixás, hoje o toque é o darum para saudar as últimas informações que um bobalhão qualquer chegou trazendo da fonte ou saídas do forno sobre a vida do grande mestre João Carlos de Odé.

E a festa regada a gargalhadas, deboche, ironia e acusações infundadas, pois eles temem, e como temem ver a fera de frente, agora pelas costa cada qual como hienas tiram seus pedaços e saboreiam a seus belos prazeres. Agora a pergunta derradeira: Serão estes, por um a caso meus inimigos! Coisa que conquistei ao longo de minha vida? Ledo engano! São os maravilhosos ditos amigos e filhos de santo que ontem comiam e bebiam na fartura da mesa de meu pai Odé, para hoje virarem as costas e sabotarem e caluniarem e vomitarem no prato que comeram.

Será que tudo que escrevo neste texto é sobre minha alma lastimosa, magoada, sofrida e dolorida clamando pela justiça de pai Xangô? Não, não é. Ou será que é o choro lastimoso sobre o leite derramado? Não, também não é. Será que pode ser comparada a fábula da raposa e das uvas? Aquela da duvida e do despeito por ter perdido alguma coisa! Também não é. Mas afinal o que pretendo discorrer de verdades e constatações de minha vida dentro do que escrevo? Urge chegar aos finalmentes e a verdade incontestável. Sim, este sim, o verdadeiro objetivo de minha vida.

Para provar isto não serão necessários palavras de magoas ou o revanchismo barato da qual eu fui centro das atenções, mas sim atos, pois palavras não significam nada, são esquecidas e voam ao sabor dos ventos. Até por que, para aqueles que sonhavam com as derrota e percalço de minha vida, eu já ofereci o grande banquete para o deleite das hienas enfurecidas. Hoje graças a meu Orixá Odé Olobomi e minha teimosia e obstinação, pretendo oferecer os louros do que chamo minha vitória e encerrar este texto, para tanto devo abrir novo parêntese.

Enquanto eles execravam o ódio ilimitado contido em suas almas sobre minha vida, aguardando o desfecho final, eu João Carlos de Odé, fiz um filho, escrevi quatro livros e plantei muda de arvore frutíferas. Por certo no futuro não estarei aqui para balançar o berço de meu menino ou para ver meus livros nas prateleiras de alguma livraria, ou mesmo para saborear os frutos das árvores que plantei. Mas, tenho em mim, a mais absoluta certeza que deixarei um rastro de amor, bondade, carinho, respeito e dignidade que não recebi, mas que sempre procurei ofertar aos que no passado me cercavam, por que felizmente ou infelizmente: eu não vim para colher, mas sim para semear.

Eis aqui o outro lado da moeda, o outro lado da face, o doce sabor para o que queriam vingança, destratando, agredindo e caluniando, eis aqui a oferenda dos Orixás, pelos quais sempre lutei e que nunca me abandonaram. Eis aqui o sentido de minha vida.

João Carlos de Odé